quarta-feira, agosto 19, 2009

Junta militar governa a Guiné-Bissau?
- Se o Diário Digital o diz é... jornalismo

Se a notícia fosse de um qualquer “Diário Digital” da República da Inguchétia (ou Ingúchia) ou tivese sido veiculada pela que foi candidata republicana à vice-presidência dos EUA, Sarah Palin, que pensava que África era um país, ou ainda por Silvio Berlusconi para quem Barack Obama é apenas um homem bronzeado, ainda vá que não vá.

Mas um jornal (?) português (Diário Digital) dizer hoje que “a Junta Militar que governa a Guiné-Bissau desde o golpe de Estado de 2008 convocou eleições presidenciais para 31 de Janeiro de 2010 e legislativas para 26 de Março”, ultrapassa todos os limites.

Ainda de acordo com o Diário Digital, publicação portuguesa, “o presidente da Junta Militar no poder na Guiné-Bissau, o capitão Moussa Dadis Camara, fez o anúncio das datas, estipuladas por um comité especial integrado por representantes de partidos políticos, sindicatos, da sociedade civil e das Forças Armadas”.

Por último, diz ainda o Diário Digital, “a Junta Militar liderada por Camara chegou ao poder num golpe de Estado a 23 de Dezembro de 2008, poucas horas depois da morte do então presidente Lansana Conté, que ocupou o cargo durante 24 anos. O capitão Camara pediu ajuda financeira da comunidade internacional para organizar as eleições”.

No contexto da produção em série de textos de linha branca, em que os operários que os fazem trabalham descalços para não terem dificuldade em contar até 12, até se aceita que a Guiné-Bissau seja confundida com a Guiné-Conacri, que Moussa Dadis Camara tivesse feito uma plástica e se parecesse agora com Malam Bacai Sanhá, ou que – por exemplo – Kabiné Komara fosse irmão gémeo de Carlos Gomes Júnior.

De qualquer modo, convenhamos que a um site supostamente informativo escrito também num país de língua oficial portuguesa (o que não é o caso da Inguchétia ou da Guiné-Conacri) deveria saber a diferença, apesar da semelhança, entre fazer amor com o José Maria ou com a Maria José.

Acresce, e as centenas de mensagens recebidas pelo Notícias Lusófonas sobre o assunto são prova inequívoca, que o texto do Diário Digital foi reproduzido por todo o lado, no que foi mais um péssimo serviço ao jornalismo e, até, à mera produção de conteúdos de linha branca.

Por saber está se a reprodução se fez apenas em publicações de língua portuguesa ou, eventualmente, até no “Diário Digital” da República da Inguchétia, nos blogues de Sarah Palin e de Sílvio Berlusconi ou, quem sabe, no jornal oficial da junta militar da Birmânia.

In:
http://www.noticiaslusofonas.com/view.php?load=arcview&article=23632&catogory=Manchete

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