sexta-feira, agosto 12, 2011

Viver(?) à luz de um candeeiro… apagado


Portugal tem os reformados mais pessimistas e mais mal pagos da Europa. Mas a situação é transitória. O Governo garante que vai… piorar.

Agora os portugueses podem continuara atazanar o excelso sumo pontífice do PSD e primeiro-ministro do reino lusitano, Pedro Passos Coelho, mas terão de o fazer à luz da vela o que, aliás, é salutar. Desde logo porque dessa forma é mais difícil ver que os pratos estão vazios.

Mas nada disto preocupa Passos Coelho. Os poucos que têm milhões vão continuar a ter mais milhões, os milhões que têm pouco ou nada vão continuar a ter… cada vez menos.

Qualidade de vida dos reformados abaixo da média na Europa Ocidental? Pode lá ser? Bom. Mas mesmo que seja, sempre está uns pontitos acima do que se passa no Burkina Faso, não é sr. primeiro-ministro?

Dois terços dos portugueses considera que o valor da reforma que têm é insuficiente para suprir as necessidades - uma proporção que aumenta entre as mulheres e as classes sociais mais baixas.

É portanto chegada a altura de Pedro Passos Coelho dizer o que dizia José Sócrates. Ou seja, os portugueses são uns mal agradecidos. Pelo menos não lhes é dito, para já, (utilizando a frase do ministro angolano Kundy Paihama) que comam farelo “porque os porcos também comem e não morrem”.

Não lhes é dito, por enquanto. Creio, contudo, que um dia destes vão mesmo ter de escolher entre as duas únicas alternativas possíveis:  viver sem comer ou investir em farelo.

A seguir à Hungria e à República Checa, Portugal é o país europeu onde as pensões são as mais baixas e seriam precisos em média mais 110 euros por pessoa para fazer face às despesas domésticas básicas, uma realidade que mais uma vez tem maior incidência nas classes sociais mais baixas.

Não está mal. Se Portugal é baixo em quase tudo, está por baixo em quase tudo, até por uma questão de coerência deve continuar assim. Não é isso, sr. primeiro-ministro?

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