sábado, agosto 25, 2012

MPLA cria cidade universitária numa região habitada por uma subespécie de angolanos


A quinta região académica de Angola, com sede na cidade do Huambo, vai contar, brevemente, com uma cidade universitária com a capacidade de albergar mais de 40 mil estudantes e que se localizará no Cambiote.

Como é hábito, o lançamento da primeira pedra para a construção da cidade universitária deu-se estrategicamente durante a campanha eleitoral e coube ao ministro do Urbanismo e Construção, Fernando da Fonseca.

E, como em qualquer democracia que privilegia o culto do chefe, a cidade universitária vai chamar-se José Eduardo dos Santos, um presidente há 33 anos no poder sem ser eleito, reconhecido vulto da cultura, da democracia, do estado de direito do país e, é claro, figura querida nas terras do planalto central, região maioritariamente habitada por um subespécie de angolanos que o regime chama de  kwachas.

"O país está de facto a mudar para melhor e há avanços e crescimento em todos os domínios", mas para o MPLA, defende José Eduardo dos Santos, importa que "o desenvolvimento social seja tão dinâmico como tem sido o crescimento económico".

Ou não se estivesse em campanha eleitoral, o dono do país  diz que  "muito ainda está por fazer", mas mostra-se convicto da "nova Angola" que está a surgir, "pronta para iniciar uma nova etapa da sua história, na qual todos os nossos esforços estarão voltados para os mais desfavorecidos, aqueles que mais sofrem porque têm pouco ou quase nada".

Por outras palavras, e porque o MPLA é Angola e Angola é o MPLA, o partido só precisa de estar no poder aí mais uns 30 anos para que, como dizia Agostinho Neto, o importante volte a ser a resolução dos problemas do Povo.

Sem se comprometer com metas (assim recomendam os seus assessores brasileiros e portugueses), como sucedeu nas promessas de criação de empregos ou a construção de um milhão de casas, feitas em 2008, José Eduardo dos Santos diz agora algo mais vago mas dentro das bitolas dos estados de direito (coisa que Angola não é). Isto é, o futuro passa por um  Programa de Estabilidade, Crescimento e Emprego.

"Através dele vamos unir, ampliar e acelerar as iniciativas destinadas a garantir mais empregos, aumentar a oferta de água e energia, melhorar os serviços de Educação e Saúde, a estimular a produção nas zonas rurais e a incentivar a criação e o fortalecimento das micro, pequenas e médias empresas angolanas", explicou Eduardo dos Santos.

E, como não poderia deixar de ser, o presidente vitalício garantiu que o MPLA "fará a sua parte para a manutenção de um clima de paz, tolerância, harmonia e confiança" no processo eleitoral em curso.

E fará com certeza. Ninguém duvida que os mortos vão voltar a votar no MPLA, ou que em algumas secções vão aparecer mais votos do que eleitores inscritos. Tal como ninguém duvida que na maioria dos areópagos políticos mundiais, começando por Lisboa, o discurso de felicitações pela vitória do MPLA já está escrito.

Creio, sinceramente, que o MPLA só não resolveu os problemas do Povo porque os oitenta e tal por cento conseguidos nas eleições anteriores foram insuficientes. Será preciso o quê? 110%? Se é isso basta agora esperar pelos resultados do próximo dia 31.

José Eduardo dos Santos disse, no dia 6 de Outubro de... 2008, que o Governo ia aplicar mais de cinco mil milhões de dólares num programa de habitação que inclui a construção de um milhão de casas.

A construção de um milhão de casas para as classes menos favorecidas de Angola e jovens foi, aliás, uma das promessas da então campanha eleitoral mais enfatizadas pelo Presidente da República de Angola e do MPLA.

José Eduardo dos Santos admitia, modesto como é, que "não seria um exercício fácil", tendo em conta que o preço médio destas casas, então calculado em cerca de 50 mil dólares. Apesar de tudo, com a legitimidade eleitoral de quem só não passou os 100% de votos porque não quis, assegurou que "já se estava a trabalhar" nesse sentido.

O presidente anunciou igualmente na altura (2008) que seria  "cada vez mais acentuada" a preocupação com a urbanização das cidades angolanas e que serão "incentivadas políticas que diminuam a circulação automóvel nos centros dos grandes aglomerados urbanos.

Foi bonito, não foi? É quase poesia. Tão bem escrita e declamada que conseguiu embalar os 70% de angolanos que viviam na miséria. Viviam e, quatro anos depois, continuam a viver na miséria.

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