sexta-feira, agosto 03, 2012

Se acabarem com as fundações para onde vão os políticos, ex-políticos e futuros políticos?




Consta que, em Portugal, “cerca de 130 fundações deverão ser objecto de intervenção e poderão ser extintas ou perder parte ou a totalidade dos subsídios públicos”.

Se for verdade, o Governo (afirma o Público) estima poupar entre 150 a 200 milhões por ano em subsídios do Estado.

Pois é. Não acredito. Se assim for, para onde irão ex-ministros, deputados, secretários de Estado, assessores e restante comandita? Todos sabem que as fundações, empresas públicas, semi-públicas, institutos, etc. são o porto de abrigo para os desempregados da política.

Aliás. só quem não quer fazer coisas sérias é que não percebe que, afinal, não há mais vida para além do PSD/CDS. E se um emprego implicar coluna vertebral e tomates amovíveis… que mal tem? Sim. Que mal tem?

Vamos a isto rapaziada. Muitos de nós estamos a aprender a viver sem comer (desemprego). Antes que se descubra que é uma missão impossível (já faltou mais), o melhor é preencher a respectiva ficha… mesmo quando o ordenado não é grande coisa. Apenas um vencimento mensal (ainda por cima bruto) de 3.653,81 euros...

Essa peregrina ideia de que Portugal precisa é de uma estratégia (ou desígnio) que valorize quem tem ideias e não quem diz que as tem, que institua (e não que sugira que se institua) o primado da competência, independentemente da filiação partidária e das cunhas é há muito uma peça de museu.

É certo que a procissão ainda vai no adro da Rua de São Caetano. No entanto, o problema é bem mais extenso. Não se resume a pessoas. Assenta na mentalidade de quem dirige o país e esses não são, necessariamente, os ministros e os secretários de Estado.

São, sobretudo, aqueles que comandam a economia, que dão emprego aos políticos, e os poderes paralelos que ditam as regras do jogo e que, tantas vezes, as alteram quando mais convém. São as grandes empresas, as associações empresariais, as fundações e outros luxuosos albergues que proliferam na sociedade desta República.

O Governo português, este como quase todos os outros, está cheio de “sombras”. E quando saem os da Rua de São Caetano entram os do Largo do Rato. E para todos eles é preciso arranjar um tacho condigno. E é aí que entram as fundações, institutos e similares,  organismos criados para dar emprego a ex-políticos e candidatos a políticos.

Com um país assim, onde são (quase) sempre os mesmos a ter acesso ao poder, sendo todos os outros relegados para fora de jogo, só há duas possibilidades: ter ideias e ser marginalizado ou, agora, ser sombra e filiar-se no PSD e  excepcionalmente também no CSD/PP, se possível com uma carta de recomendação escrita em dólares pelo MPLA.

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